Skip to main content

Banda de Música da Cidade de Espinho

IV

Por conta própria

1994-2005

No final de 1994 tiveram início as obras na Escola da rua 23, espaço onde a Banda ensaiava por cedência da Junta de Freguesia de Espinho, o que obrigou a coletividade a desocupar o local. Ainda nesse ano, para garantir a continuidade da sua atividade, a Banda recorreu à outra corporação de bombeiros da cidade – os Bombeiros Voluntários Espinhenses, que cederam provisoriamente um espaço no segundo andar do seu quartel. 

Após a saída do Major Gonçalves, o cargo de maestro foi assumido por Fernando Baptista, que ocupou o lugar apenas durante a época de 1995. Sucedeu-lhe o maestro Rodolfo Campos. 

Rodolfo Campos era natural de Crestuma, Vila Nova de Gaia e iniciou os estudos musicais com o seu pai, executante e maestro da Banda local. Foi também aluno do professor António Gomes no Conservatório de Música do Porto, onde concluiu o curso de clarinete com elevada classificação. Foi músico da Banda do Regimento de Infantaria nº. 6 e trazia no currículo a direção de várias filarmónicas locais, tais como a Sociedade Filarmónica de Crestuma, a Banda Alvarense e a Banda Amizade. 

A Banda de Música de Espinho formada na Praça Dr. José Salvador, em Espinho.

Presidente da Direção António Mano (à esquerda) e o maestro Rodolfo Campos (à direita).

Pela mão de Rodolfo Campos, foi criada no seio da associação a Orquestra Ligeira. Este projeto visava o aproveitamento e valorização da Escola de Música, cada vez mais frequentada e que graciosamente ministrava a formação musical nas camadas jovens. Formada por mais de duas dezenas de músicos, a Orquestra Ligeira apresentava um repertório inspirado nas big bands. A sua estreia ocorreu a 27 de Julho de 1996, no Salão Miramar do Casino Solverde, na Cidade de Espinho. Alcançou nos anos seguintes um nível artístico muito apreciado, o que se traduziu em frequentes atuações na cidade de Espinho e em várias localidades pelo Centro e Norte do país. 

Fotografia histórica da Banda de Espinho
Fotografia histórica da Banda de Espinho
Fotografia histórica da Banda de Espinho

No final de 1996, por ocasião do 157.º aniversário da Banda, a Direção organizou um jantar de confraternização onde foram homenageados alguns dos seus mais importantes músicos, incluindo os seus elementos mais antigos, Joaquim Ferreira de Sousa e João Sá Gomes da Rocha – que contava já com mais de 60 anos ao serviço da Banda de Música de Espinho, onde ingressou com apenas 9 anos de idade, em 1933. 

Foram igualmente agraciados os seguintes músicos: Carlos Alberto Girão Ferreira, António Marinheiro Alves Saraiva, José Cordeiro e José Ferreira da Conceição, todos com mais de 15 anos de serviço na Banda. Por último, foram também homenageados os músicos com mais de 30 anos de dedicação: Raul Ferreira Caneca, Augusto Martins Monteiro, Alcino Francisco Ferreira, Joaquim Alves Marques, Manuel da Silva Oliveira Marques e Guilherme Faria Fernandes da Silva.

Joaquim Ferreira de Sousa (à esquerda) e João Sá (à direita), homenageados pela Banda de Música da Cidade de Espinho.

No que diz respeito à sua atividade musical, a agenda da Banda era muito preenchida, sendo bastante requisitada para as mais famosas romarias do país. Para além disso, a Banda e a Orquestra Ligeira exibiam-se regularmente na sua cidade. Em 1997 dois eventos marcaram a atividade da Banda: um Concerto Polifónico e a inauguração do monumento de homenagem às bandas filarmónicas. No dia 15 de junho de 1997 a Banda organizou um Concerto Polifónico, com a participação do Orfeão de Espinho, Orfeão do Porto, Orfeão da Aliança UAP, Orfeão da Cerâmica de Valadares e Coro Feminino da Coats & Clark. Em Setembro, foi um dos 16 agrupamentos que participaram na inauguração do Monumento de Homenagem às Bandas de Música, na Maia.

Fotografia histórica da Banda de Espinho

Concerto Polifónico
Espinho | 15 de junho de 1997

Fotografia histórica da Banda de Espinho

Inauguração do monumento de homenagem às bandas de música
Maia | 27 de setembro de 1997

Apesar de todo o sucesso, ainda no decorrer de 1997, a Banda foi novamente confrontada com o crónico problema da falta de instalações próprias.  Os Bombeiros Voluntários Espinhenses, local onde a Banda vinha a ensaiar havia três anos, deram um prazo que findava no dia 30 de setembro desse ano para que a Banda abandonasse as instalações, uma vez que pretendiam dar utilização àquele espaço. Perante as dificuldades da associação e a ausência de apoios oficiais, a direção dos Bombeiros Voluntários Espinhenses acedeu em prolongar a cedência até ao final desse ano.  

Desde o ano anterior que a Banda era proprietária de um terreno com um edifício devoluto ao fundo da rua 16, junto ao cemitério. A Direção da Banda tinha a intenção de transformar aquele local na sede da coletividade, servindo para a realização de ensaios e para o funcionamento da escola de música. Contudo, a Câmara Municipal opôs-se à requalificação do imóvel, de forma intransigente, impediu a sua utilização. A Banda de Música de Espinho encontrava-se sem sede e sem apoio, não recebendo qualquer subsídio autárquico. Para evitar que cessasse a atividade, a Direção foi forçada a procurar respostas fora do concelho de Espinho.

Assim, no início de 1998, findo o prazo concedido pelos Bombeiros Voluntários Espinhenses, a Banda encontrou acolhimento nas instalações do Centro Cultural e Beneficente de S. Félix da Marinha. No entanto, devido à limitação de espaço e horários disponíveis, as aulas da escola de música foram suspensas. O que se previa ser uma permanência provisória de três meses no concelho vizinho acabou por prolongar-se por vários anos, com nefastas consequências para a coletividade. A par da perda de visibilidade na sua própria terra, o encerramento da escola de música comprometeu a captação e a formação de novos elementos, interrompendo a renovação de executantes na Banda. 

Apesar de todas as limitações e obstáculos, a Banda de Música de Espinho manteve a sua atividade, elevando o nome da cidade por todo o Norte e Centro do país. Mesmo sem uma sede no seu concelho, continuava a honrar o seu nome e a sua história, impulsionada pela dedicação dos seus músicos e diretores, com particular relevo para a figura incansável de Guilherme Faria.

Em setembro de 1999 a Banda de Música de Espinho participou no III Festival Ibérico de Bandas em Monção.

Brasão da Banda

No início do ano 2000, foram aprovados novos estatutos, passando a instituição a designar-se Associação Cultural e Recreativa da Cidade de Espinho e cujo primeiro e mais importante fim seria manter a Banda de Música da Cidade de Espinho. Os novos estatutos determinavam que, em caso de extinção, o património da Banda reverteria para a Junta de Freguesia de Espinho, ficando assim salvaguardado.

Poucos meses depois, em maio de 2000, faleceu inesperadamente Guilherme Faria, benemérito e executante de excecional categoria, cujo mecenato fora crucial para a sobrevivência da instituição nas décadas anteriores. Seguiu-se um período de grande instabilidade. Com o desaparecimento do seu patrono a Banda enfrentava sérias dificuldades financeiras, o que se repercutia na atividade da associação. Afastada de Espinho e com a atividade em declínio, temia-se o progressivo esquecimento da instituição.

O cenário agravou-se em março de 2001, com o assalto ao local de ensaio da Banda, em São Félix da Marinha, do qual foram furtados vários instrumentos – uma tuba, dois clarinetes, um fliscorne, um bombardino e uma caixa de bateria. A Banda continuava sem local próprio para ensaiar e a escola de música mantinha-se inativa, uma vez que a recuperação do edifício no terreno da Rua 16 permanecia bloqueada pela autarquia. No decorrer desse ano, conseguiu-se contudo um espaço cultural e de convívio na mesma Rua 16, cedido pelo Sr. Artur Ribeiro – que viria a integrar a nova Direção e a desempenhar um papel muitíssimo relevante nos anos seguintes. Esse local passou a funcionar como sede provisória, mas, pelas suas dimensões reduzidas, não reunia condições para acolher os ensaios nem as aulas. 

Neste período crítico, um grupo de jovens músicos assumiu a direção da coletividade, resgatando também para a Direção nomes experientes e prestigiados do associativismo local: Artur Ribeiro, Manuel António Gomes da Silva (Sancebas) e Salazar de Oliveira Matos, acompanhados por outros elementos dos órgãos sociais, como Francisco Gomes de Castro (Presidente da Assembleia Geral). Juntos, haveriam de garantir a sobrevivência da Banda de Espinho, invertendo a trajetória de declínio que se vinha verificando: a irreverência dos mais jovens impulsionou a dinamização artística, enquanto a influência e reputação dos mais experientes asseguraram o cumprimento das obrigações através da captação de novas fontes de receita. Neste mesmo ano, a Banda adquiriu um novo fardamento, mas o maior desejo de todos mantinha-se: dispor de um espaço próprio, disponível todos os dias da semana, para a atividade da Banda e da escola de música.

O ano de 2001 ficou marcado por profundas transformações na coletividade, culminando, em novembro, na viragem mais relevante: a saída de Rodolfo Campos e a contratação de um novo regente. A Direção apostou no jovem Jaime Rego, flautista da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, em Lisboa, que apresentava já um notável currículo. 

Brasão da Banda

A estreia de Jaime Rego como maestro da Banda de Espinho ocorreu num concerto no Cine-Teatro São Pedro, em Espinho, a 27 de abril de 2002. O concerto foi gravado ao vivo e resultou no lançamento do primeiro CD da Banda de Música da Cidade de Espinho. Por esta ocasião, não ficou esquecido o patrono da Banda recentemente falecido, tendo-lhe sido prestado tributo na primeira obra do concerto: Homenagem a Guilherme Faria. Seguiram-se no alinhamento do concerto e CD as obras Marcha Eslava (P. Tchaikovsky), Arco Íris (Duarte Ferreira Pestana), Pérola 59 (Ângelo André Moreira), Guilherme Tell (G. Rossini), Persis (James L. Hosay) e The Stars and Stripes Forever (John Philip Sousa). O concerto foi muito apreciado pelo público e o CD recebeu rasgados elogios pela qualidade que a Banda demonstrava em gravação ao vivo. 

Marcha “Homenagem a Guilherme Faria“, composta por Alberto Madureira.
Gravação da Banda de Música da Cidade de Espinho, dirigida por Jaime Rego | Abril de 2002

 

Alguns meses mais tarde, na véspera do dia da cidade, a Banda de Espinho organizou o I Encontro de Bandas Filarmónicas de Espinho, reunindo a Banda União Musical Paramense, a Banda Musical S. Tiago de Silvalde, a Banda Musical de Melres e a anfitriã, a Banda de Música da Cidade de Espinho. O evento iniciou-se com a concentração junto à Câmara Municipal, a que se seguiu um desfile pelas ruas da cidade, culminando num concerto noturno das bandas na Praça Dr. José Salvador.

I Encontro de Bandas Filarmónicas de Espinho | 15 de junho de 2002

Nos anos seguintes, impulsionada pelo dinamismo da sua Direção, a associação promoveu um vasto conjunto de iniciativas que iam muito além da tradicional participação em festividades e romarias. Entre os momentos de maior relevo, destaca-se a realização de um concerto no Cine-Teatro S. Pedro com a participação do Grupo Coral da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela, em fevereiro de 2003. Em junho do mesmo ano, a Banda deslocou-se a Paredes de Coura, apresentando-se num Concerto Polifónico, em conjunto com o Orfeão do Porto, no Centro Cultural local. 

Ainda em 2003, concretizou-se finalmente um dos grandes objetivos da Direção: a reabertura da sua escola de música, batizada como “Escola de Música Guilherme Faria“, em homenagem ao saudoso benfeitor.

Sem esquecer a matriz tradicional das festas e romarias, a Direção prosseguiu a expansão de horizontes, abrindo portas a novas experiências e dinâmicas. Nesse âmbito, em abril de 2004, a Banda volta a viajar até ao país vizinho, onde marcou presença no II Encontro de Bandas de Bembrive.

A ligação de Jaime Rego à Banda de Espinho terminou no início de 2005. Dando continuidade à aposta na inovação, a Direção contratou o jovem maestro Helder Tavares, abrindo assim um novo e promissor capítulo na história da instituição.